15.9.13

Adeus...



Eu me vou porque nos caminhos crescem cruzes;
porque o ar enrarecido das ruas já não cheira
a azafrán, nem a tomillo, nem a laranjeira em primavera.
Vou-me porque aos parques puseram-lhes mordazas.
Vou-me porque aqui já não se pode rir a gargalhadas;
porque os crepúsculos compram-se enlatados;
porque agonizaram, inerm os últimos rebeldes.
Vou-me porque até os beijos encontram-se expirados.
Vou-me porque já ordenaram pesquisar à alegria;
porque aos meninos mataram-lhes a seus hadas;
porque aos livros encerraram-nos no cárcere.
Vou-me porque à morte estão a vendê-la em cápsulas.
Vou-me porque aos meninos queimam-nos o futuro
e porquao álcool é para eles a pátria;
porque em lugar de saúcos cultivam-se barrotes.
Porque soltaram, todos, os diques do pavor.
Vou-me porque nessas ruas mexicanas
todos arrastam a dignidade
e tão só ri o medo..


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