11.6.15

O poema portugués...








O poema portugués
me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com
 o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto
 e mais atento
No saúdade nas tardes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra
 o poema encontrará
Uma praia onde quebrar
 as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema portugués no tempo...


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